sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aberto edital para projetos de prevenção de violência entre a juventude negra

As prefeituras e governos estaduais têm de hoje, 17 de julho, até 15 de agosto para buscar apoio do Governo Federal no desenvolvimento de projetos voltados a jovens negros em situação de vulnerabilidade social e segregação familiar. É o Projeto Farol – Oportunidade em Ação, promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR) em parceria com o Ministério da Justiça, no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que destinará recursos de aproximadamente R$ 3,3 milhões até o final deste ano.

O objetivo é articular ações sociais para a prevenção da violência entre a juventude negra, especialmente nas 84 cidades que integram as regiões metropolitanas de 13 estados considerados críticos, com base no “Diagnóstico da incidência de homicídios nas regiões metropolitanas”, produzido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. A abertura do prazo está publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17).

Por meio do edital de chamada pública terão apoio as iniciativas para ampliação do acesso a oportunidades econômicas, sociais, políticas e culturais de jovens com idade entre 15 e 24 anos, que estejam em situação infracional ou em conflito com a lei, com baixa escolaridade, expostos à violência doméstica e urbana. Os dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em 2006, dos jovens com idade entre 15 e 19 anos vítimas de armas de fogo, 6.436 eram brancos, enquanto 14.103 eram negros.

Informações sobre o assunto podem ser encontradas no Pronasci (www.mj.gov.br/pronasci) ou SEPPIR.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Aniversariantes do mês de Julho


02/07 - Taiana (Obá)

03/07 - Nunha (Yansã)

07/07 - Kabila (Oxossi)

18/07 - Tais (Ogum)

29/07 - Leonardo (Xangô)


Um ano de muito Axé para vocês!

Babá PC.

sábado, 11 de julho de 2009

Cotista ganha prêmio de melhor aluno universitário


"Fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".

Por Marcus Bennett

Numa época em que a discussão entre o mérito e a oportunidade de ingresso de alunos negros no ensino superior por meio de cotas tem tomado as pautas da mídia brasileira, um estudante negro, cotista, prova que o mérito de sua formação profissional não está ligado apenas ao modo de ingresso na instituição, mas que seu futuro também depende do esforço que se empreende durante todos os anos de faculdade. Assim pensou Gilberto da Silva Guizelin, vencedor do Prêmio de melhor aluno da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2008.

Superintendente Regional da Caixa, Roberto Bachmann, e Reitor da UEL, Wilmar Marçal, entregam prêmio de 10 mil reais

Com uma nota média de 9,520 pontos, o agora historiador recebeu R$ 10 mil pelo feito, no final de abril deste ano. Segundo a pró-reitora de graduação da UEL, professora Maria Aparecida Vivian de Carvalho, "nós não tivemos nenhum aluno que se aproximou dessa média", o que valoriza ainda mais a conquista.

O prêmio é inédito na instituição e surgiu de uma parceria entre a Reitoria e a Caixa Econômica Federal para premiar aquele que teve um melhor desempenho entre os demais alunos no decorrer de toda a graduação.

A professora Maria Aparecida conta que para ser justo, o processo de seleção foi muito estudado, visando os projetos pedagógicos dos cursos e seus respectivos sistemas de avaliação. Para tanto, o critério é o estudante ter ingressado por concurso vestibular, não ter tido qualquer anotação ou registro em sua pasta acadêmica e também alcançado uma nota mínima em cada disciplina, igual ou superior a sete. Isso significa não ter tido nenhuma reprovação.

Feliz da vida, Gilberto nem pensa em parar. Quer, desde já, dar prosseguimento a seus estudos. "Este dinheiro vai me auxiliar no decorrer da minha pós-graduação que acabo de iniciar aqui mesmo na UEL, dentro do Programa de Mestrado em História Social. Mas, talvez, mais importante do que o valor financeiro do prêmio, seja o reconhecimento dele advindo, o que tem me ajudado a abrir inúmeras portas no caminho de minha formação," observou.

Natural de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, Gilberto Guizelin atribui parte de seu sucesso ao Programa Afroatitude, voltado para o fomento de bolsas de estudo para estudantes negros e oriundos de escola pública. Para ele, o Programa Afroatitude foi fundamental para o desenvolvimento de uma consciência mais cidadã e pelo amadurecimento nas questões acadêmicas, como estudos, pesquisas e artigos.

Veja seu depoimento:
"Penso que uma das principais razões de eu ter ganhado este prêmio foi, sem dúvida, a conjuntura favorável de minha formação ao longo dos últimos quatro anos. Quando ingressei na universidade, em 2005, no curso de História, logicamente que uma das minhas preocupações era com relação à minha capacidade de acompanhar as matérias, pois vindo de uma família de recursos financeiros escassos, desde a época do colégio pensava em me sustentar na Universidade por algum sistema de bolsa de estudo, assim a manutenção de uma boa média era uma preocupação constante desde o Ensino Fundamental e Médio. Assim que cheguei na UEL, conheci o Afroatitude e fiquei vinculado ao programa por dois anos e meio, entre 2005 e 2007. Minha experiência foi muito boa, pois, além de me inserir nas discussões recentes em relação às cotas para estudantes negros, o programa possibilitou-me sair na dianteira de meus colegas de curso, uma vez que desde o início de minha graduação passei a ter contato com um projeto de iniciação científica, capacitando-me a produzir diversos trabalhos científicos, o que, por sua vez refletiu na construção de um currículo Lates acima das expectativas de um aluno de graduação, e, ainda, me abriu um mundo novo ao me levar para congressos científicos em diversas partes do Paraná e do Brasil".

"Uma outra exigência do Programa, além de contemplar estudantes negros, era desenvolver pesquisas que abordassem o negro. O que para todos os alunos contemplados com o programa foi uma dificuldade tendo em vista a escassez de projetos acadêmicos que tenham a preocupação com este público tão esquecido na história institucional, social e econômica do Brasil. Contudo, para minha sorte, dentro do Departamento de História, o professor José Miguel Arias Neto encontrava-se desenvolvendo uma pesquisa em torno da formação da Marinha de Guerra do Brasil, e uma das finalidades da pesquisa era estudar a presença negra neste processo de constituição. Gostei muito de ter feito parte dessa pesquisa, pois não só criei vínculos de amizade e estabeleci uma relação de profissionalismo, como ainda publiquei meus primeiros artigos acadêmicos dentro da Revista Afroatitudeanas".

"O curso de História teve uma grande participação no Programa Afroatitude da UEL, pois quatro de seus estudantes faziam parte dele: Fernanda Charis, Júlia Amabile, Laércio e eu. Como fazíamos parte do mesmo curso e da mesma turma, nosso contato era diário, o que me permitiu tomar ciência do estado de suas pesquisas e de suas trajetórias no decorrer do curso. Aliás, tenho orgulho em dizer que, próximo ao encerramento do programa, em uma pesquisa interna da UEL, realizada para medir o desempenho dos alunos cotistas e membros do Programa, nós, os alunos de História, ficamos entre os primeiros. O que mais uma vez reforça que possibilidades de fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".

Projetos futuros
O objetivo profissional de Gilberto Guizelin é se tornar um professor universitário. Para tanto, busca, desde já, desenvolver uma boa dissertação de mestrado sobre um tema pouco conhecido e difundido que é a política externa imperial do Brasil e suas preocupações com relação à África. Ao mesmo tempo, já se adianta à construção de um projeto de doutoramento. "Uma viagem para Angola, tipo um intercâmbio com os pesquisadores de além-mar, assim como uma viagem para estudo nos centros de documentação de Portugal e Grã-Bretanha seriam também bem vindas, mas, quanto a isso, resta estabelecer algum convênio de pesquisa", aspira.

Recém ingressado no Programa de mestrado em História Social da UEL, Guizelin desenvolve a pesquisa A Projeção Atlântico-Africana do Império Brasileiro (1822-1863): "Destino" ou "Fardo Atlântico" à Construção do Estado Nacional Brasileiro. O trabalho voltado à investigação da política externa do Império brasileiro com relação ao continente africano, mais especificamente com as colônias portuguesas. "Meu interesse por esta temática se deu pelo fato de as relações bilaterais entre a África e o Brasil, desenvolvidas a partir do comércio negreiro, desde meados do século XVI e consolidadas entre os séculos XVII e XVIII, formarem um caso sui generis na História: a constituição de um sólido, difuso e complexo circuito mercantil no Atlântico Sul, no qual as praças brasileiras ocuparam, por excelência, uma posição político, administrativa e comercial estratégica", revela.

Conheça mais sobre o Programa Afroatitude na UEL:
http://www2.uel.br/neaa/afroatitude/artigo-mec.html

Fonte: FCP

Religiosos de matriz africana terão órgão similar a CNBB

S. Paulo - Será no próximo mês de agosto, em Brasília, o Encontro com cerca de 120 lideranças – Yalorixás, Babalorixás e Ogãs de todo o país -, que marcará o lançamento oficial do Fórum Nacional das Religiões de Matriz Africana no Brasil – órgão que terá papel e funções similares ao que já exerce a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para os católicos.

A este Encontro deverão estar presentes as principais lideranças, Babalorixás e Yalorixás – em especial as Mães Silvia de Oxalá, de S. Paulo, Mãe Beata, Mãe Stela, da Bahia e Baba Dyba de Yemanjá, do Rio Grande do Sul - que, na plenária final da II Conferência da Igualdade Racial, realizada no mês passado em Brasília, travaram uma dura batalha para neutralizar resistências a criação do Fórum.

Embora já tenha sido informalmente criado, o Fórum não pôde ser oficializado na Conferência porque o ministro Edson Santos – com o apoio de correntes políticas como a CONEN - entendeu que não seria o caso de criá-lo numa Conferência convocada pelo Governo Brasileiro.

"Consideramos inadequada a criação de um Fórum dentro da Conferência. Eles (os religiosos de matriz africana) vão se organizar no tempo e no local mais adequado para eles. A Seppir não quer tutelar o Movimento reliigoso, nem católico, nem protestante. Eles devem caminhar com os próprios pés” disse o ministro.

Resistências

A principal resistência à formalização do Fórum tem partido de Minas Gerais, onde lideranças religiosas ligadas ao Centro Nacional de Resistência e Africanidade Afro-Brasileira (CENARAB), vinculadas a CONEN, se mostram reticentes à criação de um organismo nacional para ser interlocutor único das religiões de matriz africana com o Estado.

Os defensores do Fórum – em especial lideranças do Centro de Tradições Afro-Brasileiras (CETRAB)-, coordenado por Dolores Lima, no Rio, e outras entidades espalhadas pelo país, tem maior proximidade com o Coletivo de Entidades Negras (CEN) articulação política surgida na Bahia, impulsionada pelo Ogã, Marcos Rezende, e que transformou-se numa força nacional – como ficou demonstrado na Conferência de Brasília.

A Afropress apurou que a não formalização do Fórum na Conferência se deveu mais a razões políticas – por causa da alteração da correlação de forças que disputam a hegemonia do Movimento Negro na interlocução com o Estado e com o Governo – e menos as razões alegadas pelo ministro.

Conselho Superior

Enquanto o Fórum Nacional das Religiões de Matriz Africana aguarda o Encontro de agosto para ser oficialmente criado, lideranças religiosas começam a debater propostas para sua estruturação.

Afropress apurou que um dos pontos em discussão é a criação de um Conselho Superior que cuidará da doutrina, normas, regras e da posição das religiões em relação a temas controversos do debate público, como a questão do aborto, células tronco, entre outros. Esse Conselho deverá ter na sua composição, as lideranças mais respeitadas, de todos os ramos da religião.

Religiões diversas

Ao contrário do que se imagina, segundo explicou uma dessas lideranças, as religiões afro não se reduzem ao Candomblé e a Umbanda. Existem outras vertentes em vários Estados, sem contar com as características que a Umbanda e o Candomblé adquirem de acordo com a região em que a religião é professada.

Abaixo do Conselho Superior estará um outro órgão que reunirá todas as entidades nacionais. O Fórum será um novo interlocutor perante o Estado no momento em que as religiões de matriz africana passaram a ser alvo de manifestações de intolerância.

Força política

Nasce, por outro lado, como força política, capaz de representar milhões de pessoas negras ou não, que tem as religiões afro como sua fé.

Segundo pesquisa Datafolha realizada em 2006 e 2007, adeptos do candomblé e de outras religiões afrobrasileiras são menos de 1%, porém, esses dados não levam em conta o fato de que milhões de pessoas não assumem a religião em virtude de serem alvo de perseguições e preconceitos.

Católicos, de acordo com a pesquisa, são 64%; evangélicos pentecostais são 17% e os não pentecostais, 5%; Espiritas ou espitirualistas são 3% e, umbandistas, 1%. Outros 3% dizem pertencer a outras religiões, e 7% dizem não ter religião ou se declaram ateus.

Por iniciativa do Coletivo de Entidades Negras (CEN) e dos religiosos será lançada em setembro, em Salvador, a campanha “Quem é de Axé, diz que é”, que terá um Censo Nacional com o objetivo de identificar qual é o tamanho dos adeptos das religiões afro na população brasileira.




Fonte: Afropress

Ensaios do Afoxé Filhos do Korim-Efan

A Sociedade Cultural e Carnavalesca Afoxé Filhos do Korim-Efan iniciou no último dia (05), seus ensaios de preparação para o Carnaval 2010. Todos os domingos, às 16h, na Ladeira do Passo, 26 - Pelourinho.

Os Filhos do Korim-Efan vão homenagear a Euá: Este orixá é uma bela virgem que entregou o seu corpo jovem a Xangô, marido de Oya, despertando a ira da rainha dos raios. Ewá refugiou-se nas matas inalcançáveis, sob a protecção de Oxóssi, e tornou-se uma guerreira valente e caçadora habilidosa.

As virgens contam com a protecção de Ewá e, aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua protecção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só rodaria na cabeça de mulheres virgens (o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.

Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.

Participem, é uma chance de desfrutar de bons momentos com a comunidade do Axé.

Fonte: Semur