Mostrando postagens com marcador Religião de Matriz Africana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Religião de Matriz Africana. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Café da manhã reúne candidatos e líderes de religião de matriz africana


O café da manhã no comitê de Valmir Assunção (1310), candidato a deputado federal, reuniu líderes religiosos de matriz africana, membros do coletivo de entidades negras (CEN) e contou com a presença do candidato a reeleição a deputado estadual, Bira Corôa (13613). No evento foram discutidos os compromissos dos candidatos com as ações políticas pelas lutas em defesa das religiões de Candomblé.

De acordo com Marcos Rezende, coordenador do CEN e mediador do debate, os grupos religiosos de matriz africana devem estar inseridos nas discussões para que agreguem visibilidade, espaço e poder político nas ações do Estado para os terreiros de Candomblé como reconhecimento da religião no contexto baiano. “Quem quer saber e conhecer de política define e dita os rumos da situação”, disse Marcos Rezende.

Bira Corôa e candidato a reeleição, falou das ações de seu mandato e de seu companheiro de luta Valmir Assunção em prol da promoção da igualdade e intolerância religiosa, a exemplo do Estatuto Estadual da Igualdade que aguarda aprovação. Também completou a fala de Marcos Rezende afirmando que poucas vezes as discussões políticas reuniram os grupos religiosos de matriz africana. “A negação dos debates políticos dá o direito a outros grupos se manisfestarem neste sentido”, pontuou Bira Corôa.

O candidato a deputado federal, Valmir Assunção lembrou de uma fala de Bira Corôa que diz que o trabalho deve ser coletivo. “Temos que dá visivilidade aos invisíveis, precisamos fazer este esforço, completa Valmir Assunção”. Disse também que apesar de não ser de candomblé, respeita a causa e propôs o cargo de Secretario de Desenvolvimento Social de Combate a pobreza a Arani Santana, mulher negra e religiosa de matriz africana. “Eu acredito que os terreiros precisam de mais políticas sociais”, conclui Valmir.

As discussões definiram como estratégia a tentativa de reforçar a posição de Jaques Wagner e Pinheiro em um debate entre o governo do Estado e os religiosos de matriz africana. Definiram também pontos a serem trabalhados pelos candidatos após as eleições.
Fonte: Assessoria de Comunicação Bira Corôa

domingo, 1 de agosto de 2010

Faltam menos de 10 dias para o Seminário Azoany!

clique na imagem para ampliar


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Centenário da Casa de Xangô

Essa semana, o Ilê Axé Opô Afonjá realiza uma série de atividades para comemorar o seu centenário. A programação começa na sexta-feira, a partir das 19 horas, é aberta, mas pede-se traje branco. Os eventos acontecerão no barracão de festas do terreiro.

Confiram abaixo as atividaes programadas:

Sexta-Feira, dia 30:

19h- Saudação à Casa: Alabês do Terreiro
19h20- Composição da Mesa de Abertura do Evento: Mãe Stella de Oxóssi e ogã José de Ribamar Feitosa Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santo do Axé Opô Afonjá.
20h-Performance do dançarino e coreógrafo norte-americano Clyde Morgan.
20h30- Lançamento de selo personalizado e carimbo pelos Correios.
21h- Apresentação do afoxé Filhos de Gandhy e convidados.

Sábado, dia 31
8h- Inscrição e entrega de material aos participantes
9h- Saudação ritual aos ancestrais e inauguração do busto de Mãe Aninha
9h30-Saudação à Casa e boas vindas
9h40- Mesa Redonda: As Ialorixás do Ilê Axe Opô Afonjá
Mediadora: Professora Yeda Pessoa de Castro
Palestra: Mãe Aninha
Palestrante: Obá Muniz Sodré
Palestra: Tia Cantu- Iyá Egbe do Ase
Palestrante: Babalorixá Bira de Xangô (RJ)
Palestra: No Tempo de Mãe Bada
Palestrante: Ubiratan Castro

11h- Intervalo
11h20-Palestra: No Tempo de Mãe Senhora
Palestrante: Obá Luis Domingos
Palestra: No Tempo de Mãe Ondina
Palestrante: Egbón Adilson Almeida
Palestra: Mãe Stella, a Ialorixá dos 100 anos do Candomblé de São Gonçalo
Palestrante: Jaime Sodré
13h- Engerramento do dia- Tarde Livre
17h- Lançamento de publicações- Livro de Contos, de Tia Detinha e Xangô, de Raul Lody
18h- Exibição do vídeo-memória E Daí Nasceu o Encanto: 100 anos do Candomblé de São Gonçalo
20h- Apresentação do bloco Cortejo Afro e convidados

Domingo- 1º de agosto de 2010
9h- Abertura do Dia- Saudações/atabaques
9h30-Palestra: Em busca das raízes gurunsi do Ilê Axé Opô Afonjá: Uma jornada ao norte de Gana
Palestrante: Maria Paula Adinolfi
10h20- Apresentação dos alunos do grupo de Capoeira do Terreiro
11h- Apresentação dos alunos da oficina de dança do Ilê Axé Opô Afonjá
11h30- Apresentação da Banda Aiyê (Ilê Aiyê e convidados)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Na viodeoteca Azoany: Registro da I Caminhada pela...

Na viodeoteca Azoany: Registro da I Caminhada pela...: "- Alvorada dos Ojás organizada pelo CEN/MA. - Caminhada - Fala do Ministério Público Fonte: http://www.cenbrasil.org.br/"

Caminhada Azoany: Pelo décimo segundo ano consecutivo a Associação C...

Caminhada Azoany: Pelo décimo segundo ano consecutivo a Associação C...: "... estará realizando no mês de agosto a Caminhada Azoany, evento realizado no dia de comemoração a São Lázaro, que consiste em um cortejo c..."

sábado, 24 de julho de 2010

Quem é de Axé diz que é movimenta a Praça Deodoro


O ritual Alvorada dos Ojás marcou o início da programação, nesta sexta-feira (23), na Praça Deodoro, da campanha “Quem é de axé diz que é: sou da Mina com orgulho”. O evento, organizado por um comitê que inclui a Secretaria de Igualdade Racial (Seir), chamou a atenção de quem passava. Durante toda a manhã, mães e pais de santo cantaram e dançaram no local. O roteiro também foi movimentado pela 1ª Caminhada pela Vida e pela Liberdade Religiosa, culminando com o Ato Público “Fala Vodunsi”, na Praça Nauro Machado.

“É satisfatório, nem todo dia a gente vê isso”, declarou o segurança Paulo Coelho que parou para assistir as apresentações dos terreiros na Praça Deodoro. “Há muito preconceito, mas isso não deve existir, pois é religião e todos estão unidos”.

A campanha foi organizada por um comitê formado pela Seir, Coletivo de Entidades Negras (CEN), Conselho Estadual da Igualdade Étnico Racial (CEIR), Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão (Ferma) e Conselho Municipal Afrodescendente São Luís (Comafro).

“Esse é um passo muito importante pela cidadania”, considera a secretária de Estado de Igualdade Racial, Claudett Ribeiro. O objetivo da iniciativa é sensibilizar os praticantes das religiões de matriz africana do Maranhão a declararem sua religiosidade quando da pesquisa do Censo 2010, visando corrigir imprecisões de números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

‘Temos que tirar esse segmento da sociedade da invisibilidade, não apenas no Maranhão, mas em todo o Brasil”, disse a secretária. A ação tem por base o Censo 2000, no qual apenas 0,3% da população brasileira declarou ser adepto da religião afro-brasileira.

Mudança

Para a coordenadora de Divulgação do Censo 2010 do IBGE, Raquel Elisa de Araújo Marrocos, a campanha deve mudar o resultado da última pesquisa. “Esperamos ter um resultado mais próximo do real e a prática religiosa é um dos itens analisados. Aqui, aproveitamos para divulgar o nosso trabalho, pois o censo começa em agosto, a população precisa colaborar”, ressaltou.

O coordenador do Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do Maranhão e do Coletivo de Entidades Negras, Neto de Azile, contesta o resultado do último censo do IBGE. “Observamos que os números não são verdadeiros, mas a herança colonial, a discriminação, o preconceito, tudo isso faz com que as pessoas não se identifiquem. A idéia é sensibilizar os religiosos de matriz africana para que digam que são de terreiro, que são de axé”, destacou.

Neto de Azile disse que o Censo é um instrumento que o governo usa para definir as suas políticas públicas e ações afirmativas. “Então, temos que ter um número maior, um número mais verdadeiro, para que possamos exigir esse serviço do estado”, completa.


Fonte: http://www.ma.gov.br/agencia/noticia.php?Id=10814

terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma ialorixá vai coordenar o projeto Mulheres da Paz


Jaciara Ribeiro dos Santos, mais conhecida como Mãe Jaciara, sucessora de Mãe Gilda no Terreiro Axé Abassá de Ogum, será a primeira ialorixá baiana a coordenar um projeto federal. Amanhã (20),ela será empossada no cargo de coordenadora do Projeto Mulheres da Paz, que faz parte das ações do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e é realizado em parceria com o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes). A cerimônia acontecerá às 9h, no auditório da SUCAB, no Centro Administrativo.

Iniciada no Candomblé há 23 anos Jaciara Ribeiro dos Santos é filha de oxum. Dez anos depois do falecimento de sua mãe biológica Gildásia dos Santos, começou uma caminhada longa na luta contra a intolerância religiosa, participando de seminários, realizando palestras e viagens por diversos estados brasileiros, defendo a causa da comunidade de candomblé e a causa do povo negro. Atualmente, ocupa o cargo de coordenadora de religiosidade de matriz africana, na organização Coletivo de Entidades Negras (Cen).

Mulheres da Paz

O objetivo do Pronasci é prevenir e enfrentar a violência, com atuação por meio de ações sociais junto a jovens de 15 a 24 anos, em situação de vulnerabilidade social, das áreas metropolitanas do país.Para tanto, o Mulheres da Paz vem capacitando 700 mulheres, distribuídas nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Simões Filho. A função dessas mulheres é mediar conflitos das famílias que possuem jovens que vivem à beira da criminalidade ou que tiveram problemas com a lei.

Afirmando sentir-se privilegiada por ser a primeira mulher negra e religiosa de matriz africana a assumir a direção do projeto, Mãe Jaciara diz que não será somente uma coordenadora “e sim mais uma multiplicadora da PAZ”, prometeu.
Fonte: SEDES

sábado, 17 de julho de 2010

Censo 2010: Sou negro e sou de Axé!



No próximo mês de agosto, a população brasileira dos 5.565 municípios estará recebendo recenseadores e recenseadoras para o levantamento demográfico que desde o primeiro censo, em 1872, com 643 municípios, se mostrou como importante fonte de dados.

Sabemos do valor das informações coletadas para acompanhar o crescimento, a distribuição geográfica e a evolução das características da população e como elementos importantes para definição de políticas públicas em nível nacional, estadual e municipal, bem como para a tomada de decisões na iniciativa privada, incluindo, atualmente (para algumas), as ações de responsabilidade social.

Foi no censo de 1872 que, pela primeira vez, o conjunto da população era compreendido oficialmente em termos raciais, base para o estabelecimento de novas diferenças entre os grupos sociais. Diferenças ainda longe das concepções hierarquizantes e poligenistas que se acercariam da noção de raça, anos mais tarde.

Naquele momento, tratava-se de conhecer uma população de ex-escravizados que começava a exceder cada vez mais o número dos ainda escravizados. E esta diferença era possível na medida em que a instituição escravista tinha perdido a legitimidade devido à ação de grupos abolicionistas ou mesmo por meio das consequências da abolição do tráfico (1850) ou das leis posteriores que prometiam, apesar de gradual, a abolição da escravidão: a lei do ventre livre (1871), depois a lei dos sexagenários (1885), seguida da proibição dos açoites (1886) .

É muito importante anotar que a noção de “cor”, herdada do período colonial, não designava, preferencialmente, matrizes de pigmentação ou níveis diferentes de mestiçagem, mas buscava definir lugares sociais, nos quais etnia e condição social estavam indissociavelmente ligadas.

O novo Movimento Negro, surgido nos anos 1970, enfrentou a falácia da “democracia racial” entendendo que a o quesito “cor” era determinante do lugar social da população negra. Esse conhecimento, sustentado por militantes e pensadores na área das ciências humanas e sociais (incluindo a economia e a estatística), levou a uma campanha, em nível nacional, para o censo de 1991: “Não deixe sua cor passar em branco”.

Se fizermos uma breve retrospectiva do quesito “raça” / “cor” nos censos do País, não é difícil compreender a necessidade dessa campanha por parte do Movimento Negro:

1 - o quesito “raça” foi pesquisado nos censos de 1872 e de 1890;
2 - foi suprimido em 1900 e 1920;
3 - o quesito retorna em 1940, sob o rótulo de “cor”;
4 - em 1970, o questionário não contemplou o quesito “cor”;
5 - em 1980, o quesito volta a aparecer;
6 - em 1991 o quesito “cor” está presente, incorporando a (nova) categoria “indígenas e amarelos”;
7 - o censo de 2000 admitiu “raça e cor” como sinônimos, compondo uma única categoria (“cor ou raça”).

A força da campanha do Movimento Negro tinha ainda maior razão! Além da invisibilidade da população negra, pela falácia da “democracia racial”, o quesito “cor”, respondido apenas no Questionário Amostra, tangenciava uma população já impregnada pelo não lugar do ser negro, colocado sempre no lugar de 2ª classe!

“Não deixe sua cor passar em branco!” cobriu o censo de 1991 e foi reprisada no censo de 2000, com o objetivo de sensibilizar os negros e seus descendentes para assumirem sua identidade histórica insistentemente negada; ao mesmo tempo em que era um alerta para a manipulação da identidade étnico-racial dos negros brasileiros em virtude de uma miscigenação que se constitui num instrumento eficaz de embranquecimento do país por meio da instituição de uma hierarquia cromática e de fenótipos que têm na base o negro retinto e no topo o ‘‘branco da terra'', oferecendo aos intermediários o benefício simbólico de estarem mais próximos do ideal humano, o branco.

Apesar de, neste novo censo de 2010, o quesito “cor ou raça” sair do Questionário da Amostra e passar a ser investigado também no Questionário Básico, cobrindo toda a população recenseada , ainda há um longo caminho da superação do racismo para que todos e todas respondam pela dignidade e pelo reforço da auto-estima de pertencerem a um grupo étnico que só tem feito contribuir eficiente e eficazmente para o desenvolvimento do País.

Ao contrário do que propõe as “assertivas” de exclusão, a identificação da população negra se faz necessária sempre e a cada vez para que se constate em números (como gosta o parâmetro científico) o racismo histórico que ainda está perpetrado sobre a população negra. Só depois que alcançarmos a liberdade de fato é que as anotações étnicas passarão a ser fatores que dizem respeito exclusivamente à cultura. Enquanto estivermos, como estamos hoje – após 122 anos da abolição da escravatura – vivendo uma abolição não conclusa, precisaremos reafirmar nossa etnia do ponto de vista político; econômico; habitacional; na área da saúde; na área da educação; nas condições de supressão da liberdade que não se dá apenas aos presidiários, mas a pais e mães que clamam por políticas para garantir que seus filhos e filhas possam crescer com dignidade e sem ameaças.

A proposta do IBGE de tirar a “fotografia” mais nítida o possível do Brasil, ainda está longe de ser alcançada!

E a luta do povo negro não termina! O racismo é tão implacável que, a cada etapa alcançada, um novo desafio se apresenta!

Para este ano, novamente o Movimento Negro está em campanha, em nível nacional! E, agora, é para que todos aqueles que são adeptos das Religiões de Matrizes Africanas respondam sem qualquer dissimulação: “Quem é de Axé diz que é!”

O quesito “religião ou culto” continua no Questionário de Amostra e tem campo aberto para que o recenseador ou a recenseadora anote a “religião ou culto” declarado pelo cidadão, pela cidadã.

Tanto no quesito “cor ou raça” para todos (no Questionário Básico); quanto no quesito “religião ou culto” para alguns que responderão o Questionário Amostra, a população negra e seus descendentes estão conscientes de que suas palavras precisam ser firmes e que devem estar atentos para que a anotação seja feita sem qualquer margem de erro em relação ao que declarou.

Já se justificou essa omissão do quesito “cor” por um possível empenho do regime republicano brasileiro em apagar a memória da escravidão. Entretanto, parte da explicação pode vir do incômodo causado pela constatação de que nossa população era marcada e crescentemente mestiça, enquanto as teses explicativas do Brasil apontavam para os limites que essa realidade colocava à realização de um ideal de civilização e progresso.

Não temos qualquer dúvida de que a resistência em tratar de raça-cor e em tudo o que a discussão implica – como políticas de reparações, com fundo para superação do racismo histórico – é a mesma que teremos de enfrentar no tratamento das Religiões de Matrizes Africanas. Não dissimular a declaração de adepto ou adepta das religiões de Axé, trazidas e preservadas como memória ancestral por aqueles e aquelas que resistiram à travessia e morte nos porões dos navios tumbeiros é dignificar a humanidade que por princípio e necessidade é diversa e assim deve permanecer.

A poligenia está superada! As evidências de que a humanidade surgiu no continente africano são cada vez em maior número e com rigor científico sempre mais acurado. O conceito de raça não tem o menor sentido, dizem nossos opositores, no afã de jamais ceder o lugar histórico de conforto a que estão acostumados! Enquanto não repararmos o estrago que o uso histórico do conceito fez a cidadãos e cidadãs que hoje são em mais de 50% da população, qualquer discussão conceitual será apenas a má retórica que tenta persuadir para continuar reinando.

Por isso,
Não vamos deixar nossa cor passar em branco!
E vamos dizer que somos de Axé!
“Quem é de Axé diz que é!”

_____
* Carlos Santana - Deputado Federal – PT-RJ; Presidente da Frente Parlamentar da Igualdade Racial

REIS, Eustáquio; PIMENTEL, Márcia; ALVARENGA, Ana Isabel, Áreas mínimas comparáveis para os períodos intercensitários de 1872 a 2000. 2007. Disponível em . Acesso em: 07 jul. 2010
CAMARGO, Alexandre de Paiva Rio. Mensuração racial e campo estatístico nos censos brasileiros (1872-1940): uma abordagem convergente. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Série Ciências Humanas. Belém, v. 4, n. 3, p. 361-385, set.- dez. 2009. Disponível em: . Acesso em: 07 jul 2010.
MATTOS, Hebe Maria. Das cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista, Brasil século XIX. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998. P. 98-99, apud CAMARGO, 2009, p. 7.
IBGE. Anais do II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais. Pesquisas Históricas nas Instituições Estatísticas. CDDI/IBGE. 2006, p. 10
CARNEIRO, Sueli. A miscigenação racial no Brasil. Correio Braziliense. Opinião. 2000. Disponível em: . Acesso em: 07 jul 2010
IBGE. Síntese das Etapas da Pesquisa. 2010. Disponível em: . Acesso em: 07 jul 2010, p. 24.
BOTELHO, Tarcisio R.. Censos e construção nacional no Brasil Imperial. Tempo Soc., São Paulo, v. 17, n. 1, June 2005 . Disponível em . Acesso em: 07 Jul. 2010. doi: 10.1590/S0103-20702005000100014. O artigo é uma versão revisada da Parte III da tese de doutorado em História Social pela USP.
(**) Iniciativa do Coletivo de Entidades Negras (CEN), com apoio irrestrito de Instituições de Religiões de Matrizes Africanas e do MN.

Carlos Santana

quinta-feira, 15 de julho de 2010

100 Anos do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé do país

Um século de força, afirmação de identidade e resistência negras
“Todos os que passam do portão do terreiro para dentro são considerados por Xangô, seus filhos”. Com esta frase a professora Vanda Machado, egbomi do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, explica aos convidados com simpatia o acolhimento que terão dentro de um dos mais tradicionais terreiros de candomblé da Bahia. E deixa antever princípios filosóficos de uma cultura de matriz africana ancestral.

Na tradução do iorubá – língua falada pelos negros nagôs - para o português, o nome do terreiro significa “Casa de Força Sustentada por Xangô”. Foi em referência a este Orixá que a criadora do Axé, dona Eugenia Anna dos Santos, a famosa Mãe Aninha, fundou o terreiro no ano de 1910. Mãe Aninha dizia sonhar ver os filhos do Axé “de anel de doutor nos dedos e prostrados aos pés de Xangô”. Passados cem anos, e sob a direção de Mãe Stella de Oxossi, a atual sacerdotisa que dirige toda a comunidade religiosa situada no bairro de São Gonçalo do Retiro, em Salvador, o Opô Afonjá, além de espaço de culto ao sagrado, é sinônimo do “axé” (força), de resistência cultural e local de afirmação das identidades negras.

Ocupando uma área com cerca de 39.000 m2, o terreiro abriga ainda a Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, reconhecida pelo MEC como instituição modelo no que se refere àquilo que a lei 10639/2003 advoga: que as escolas do país devotem tempo e atenção à história e a força das culturas negras. Estas tão bem representadas por personagens como mãe Aninha e Mãe Stella, mas também por outras sacerdotisas que ocuparam o posto máximo daquela Casa, tais como Mãe Badá, Mãe Ondina, Mãe Senhora. E tantas outras que, neste território de dimensões continentais, vem acolhendo em seus “axés” aqueles que buscam proteção, força vital, esperanças, troca comunitária e felicidade na religião dos Orixás.

É bem verdade que as ações, a coragem, a determinação e a luta destas mulheres negras valorosas ainda fazem parte da história não-oficial do país. Mas é incontestável também as possibilidades de reconhecimento pelos jovens e crianças de nossas escolas do quão interessantes e exemplares são estas – e tantas outras – personalidades negras. Muitos vem lutando para que este seja um dos frutos a serem colhidos através da obrigatoriedade da lei que passou a regular, em 2003, as práticas educacionais em nossas escolas na direção da Igualdade Racial. Para além dela (e fortalecendo-a) temos ainda, o recém aprovado Estatuto da Igualdade Racial – com artigos garantidores não apenas dos avanços na área educacional, mas também dos direitos das comunidades-terreiros. São avanços que podem contribuir efetivamente para que todos que protagonizaram a história do Ilê Opô Afonjá integrem-se já neste século XXI e nos vindouros, às páginas que registram a História Oficial da Nação Brasileira.

Comunicação Social da SEPPIR/PR

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Iansã




Dia: Quarta-feira
Cores: Marrom, Vermelho e Rosa
Símbolos: Espada e Eruesin
Elementos: Ar em movimento, Fogo
Domínios: Tempestades, Ventanias, Raios, Morte
Saudação: Epahei!

O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove orum, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã (Yánsàn).

Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo-Omo Iná.

A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover.

Iansã é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza a sua raiva, o seu ódio. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com todas as actividades relacionadas com o homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Iansã é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.

O facto de estar relacionada com funções tipicamente masculinas não afasta Iansã das características próprias de uma mulher sensual, fogosa, ardente; ela é extremamente feminina e o seu número de paixões mostra a forte atracção que sente pelo sexo oposto. Iansã (Oyá) teve muitos homens e verdadeiramente amou todos. Graças aos seus amores, conquistou grandes poderes e tornou-se orixá.

Assim, Iansã tornou-se mulher de quase todos os orixás. Ela é arrebatadora, sensual e provocante, mas quando ama um homem só se interessa por ele, portanto é extremamente fiel e possessiva. Todavia, a fidelidade de Iansã não está necessariamente relacionada a um homem, mas às suas convicções e aos seus sentimentos.

Algumas passagens da história de Iansã relacionam-na com antigos cultos agrários africanos ligados à fecundidade, e é por isso que a menção aos chifres de novilho ou búfalo, símbolos de virilidade, surgem sempre nas suas histórias. Iansã é a única que pode segurar os chifres de um búfalo, pois essa mulher cheia de encantos foi capaz de transforma-se em búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça.

Oyá é a mulher que sai em busca do sustento; ela quer um homem para amá-la e não para sustentá-la. Desperta pronta para a guerra, para a sua lida do dia-a-dia, não tem medo do batente: luta e vence.

Características dos filhos de Iansã / Oyá

Para os filhos de Oyá, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem os seus caminhos mais por paixão do que por reflexão. Em vez de ficar em casa, vão à luta e conquistam o que desejam.

São pessoas atiradas, extrovertidas e directas, que jamais escondem os seus sentimentos, seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem, partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova de promiscuidade, pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam.

Estas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas; o seu génio muda repentinamente sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só acontecem quando controlam os seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa, que deve permitir que se tornem os senhores da situação.

Os filhos de Oyá, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado, os mais prudentes, no entanto, não ousariam confiar-lhe um segredo, pois, se mais tarde acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará antes de usar tudo que lhe foi contado como arma.

O seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma brisa de fim de tarde. Só uma coisa o tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de morte: batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, matam se for preciso.

domingo, 20 de junho de 2010

Fio de Contas (Parte II)


Na mitologia sobre a invenção do candomblé, os colares de contas aparecem como objectos de identificação dos fiéis aos deuses e o seu recebimento, como momento importante nessa vinculação. De acordo com o mito, a montagem, a lavagem e a entrega dos fios-de-contas constituem momentos fundamentais no ritual de iniciação dos filhos-de-santo, os quais, daí em diante, além de unidos, estão protegidos pelos orixás.

Feitos com contas de diferentes materiais e cores, esses fios apresentam uma grande diversidade e podem ser agrupados por tipologias de acordo com os usos e significados que têm no culto. Assim, acompanham e marcam a vida espiritual do fiel, desde os primeiros instantes da sua iniciação até às suas cerimónias fúnebres.

Como nos momentos da montagem e do recebimento, também o instante da ruptura é significativo; entretanto, o rompimento do fio-de-contas, mais do que indicar um mau presságio, que assusta e preocupa o indivíduo e a comunidade, pode ser o início de um novo ciclo, um recomeço, um momento de viragem que pede um novo fio. Dos primeiros fios – simples, ascéticos e rigorosos – às contas mais livres, exuberantes, complexas e personalizadas que a pessoa vai produzindo ou ganhando ao longo do tempo, delineia-se o caminho de cada um na sua vinculação aos orixás e à comunidade do terreiro.

Desta maneira, mais do que a libertação do gosto particular, as transformações nos colares revelam o conhecimento adquirido pela pessoa e sua ascensão na hierarquia religiosa. De tal modo que um leigo pode passar despercebido por um fio-de-contas ou vê-lo apenas como um adorno, enquanto um iniciado na cultura do candomblé o tomará como um objecto pleno de significados, que pode ser “lido” e no qual é possível identificar a raiz, o orixá da cabeça e o tempo de iniciação, entre outros dados da vida espiritual de quem o usa.

Dos ritos secretos e espaços fechados do culto aos orixás, os fios-de-contas ganharam o mundo e adquiriram novos usos. De África vieram para o Brasil e para todo o mundo onde o candomblé se tem difundido. Hoje, devido ao sincretismo religioso, além dos espaços de culto, é possível observar a presença de fios-de-contas em lugares inusitados como automóveis e lojas, mas já destituídos das funções e sentidos primordiais, usados apenas para proteger os espaços e as pessoas contra maus agouros.

Pode ser chamado fio-de-contas desde aquele de um fio único de missangas até a um colar com vários fios presos por uma ou várias firmas. A quantidade de fios pode variar de uma nação para outra na correspondência de cargos.

Na hierarquia do candomblé toda a pessoa que entra para a religião será um Abiã e assim permanecerá até que se inicie. Ao Abiã só é permitido o uso de dois fios-de-contas simples de um fio só, um na cor branco leitoso que corresponde a Oxalá, de acordo com a nação e um na cor do Orixá da pessoa, quando já tenha sido identificado, dessa forma pode-se saber que a pessoa é um Abiã e qual é o seu Orixá.

Um Egbomi usa diversos colares de um fio só, com contas na cor dos Orixás que já tem assentados e estas já podem ser intercaladas com corais ou firmas Africanas.

Tipos de fios-de-contas:

Yian/Inhãs: Fios de uma só “perna”, isto é, o colar simples de uma só fiada de missangas cuja medida deve ir até a altura do umbigo.
Delogum: Colares feitos de 16 fiadas de missangas com um único fecho cuja medida, como os Inhãs, vai até à altura do umbigo. Cada Iaô deve possuir, normalmente, um Delogum do seu orixá principal e outro do orixá que o acompanha em segundo plano.
Brajá: longos fios montados de dois em dois, em pares opostos. Podem ser usados a tiracolo e cruzando o peito e as costas. É a simbologia da inter-relação do direito com esquerdo, masculino e feminino, passado e presente. Quem usa esse tipo de colar é um descendente dessa “união”.
Humgebê/Rungeve: Feito de missangas marrons, corais e seguis (um tipo de conta).
Lagdibá/Dilogum: Feito de fios múltiplos, em conjuntos de 7, 14 ou 21. São unidos por uma firma (conta cilíndrica).
As Cores dos fios-de-contas de cada Orixá:

Exú – Contas Pretas intercaladas com Contas Vermelhas
Ogum – Contas Azul Forte (podem ter apontamentos Vermelhos ou Verdes)
Oxóssi – Contas Azul-turquesa
Omulú – Contas Brancas Raiadas de Preto ou Contas Marrom
Oxumaré – Contas Amarelas Raiadas de Preto ou Verdes Raiadas de Amarelo
Ossaim – Contas Verdes
Iroko – Contas Verdes intercaladas com Contas Brancas
Logun Edé – Contas Azul-turquesa intercaladas com Contas Amarelas ou Brancas
Oxum – Contas Douradas ou Contas de Âmbar
Iemanjá – Contas Brancas intercaladas com Contas Azul Claro e/ou Contas de Cristal
Iansã – Contas Marrom ou Contas de Coral (Vermelho, Salmão)
Ibeji – Contas de Todas as Cores
Obá – Contas Vermelhas intercaladas com Contas Amarelas
Ewá – Contas Vermelho Escuro
Nanã – Contas Brancas Riscadas de Azul
Xangô – Contas Vermelhas intercaladas com Contas Brancas
Oxalá – Contas Branco
Leitoso e/ou Contas de Cristal


sábado, 19 de junho de 2010

A Religiosidade Afro Brasileira e o Meio Ambiente

O TEXTO A SER EXIBIDO APRESENTA A RELAÇÃO DA EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE COM A EDUCAÇÃO AMBIENTAL POR MEIO DA RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA. O CANDOMBLÉ OFERECE SUBSÍDIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA A PARTIR DA LÓGICA DOS ORIXÁS, INTRINSECAMENTE LIGADOS AO MEIO AMBIENTE.



Clique aqui para ler.


"SEM FOLHA NÃO TEM SONHO
SEM FOLHA NÃO TEM FESTA
SEM FOLHA NÃO TEM VIDA
SEM FOLHA NÃO TEM NADA"
SALVE AS FOLHAS – GERÔNIMO E ILDÁSIO TAVARES

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A natureza do candomblé

A relação dos orixás com a natureza revela um culto milenar, alinhado a uma das maiores preocupações do nosso tempo: a preservação do meio ambiente.

“Omi kosi, éwè kosi, òrìsà kosi” é um ditado yorubá que significa: “sem água, sem folha, não há orixá”. O culto aos orixás realizado pelos yorubás, povo oriundo de regiões do Benin e da Nigéria, países da costa oeste africana, deu origem, aqui no Brasil, ao candomblé. De acordo com a religião, a natureza é um espaço sagrado, de comunhão entre o mundo espiritual e o material, que deve ser respeitado e bem cuidado. Esta concepção alinha o culto milenar a uma das maiores preocupações da atualidade: a preservação da biodiversidade.

Divindades e meio-ambiente estão tão unidos, na visão do candomblé, que não é possível haver culto sem a presença de elementos naturais, especialmente, folhas. “A primeira coisa que fiz quando cheguei aqui foi andar pela vizinhança procurando plantas e ervas para usar nos rituais ou como remédio, e trazer para o meu quintal”, conta Mãe Beata de Yemonjá, yalorixá (mãe-de-santo) do terreiro Ylê Omio Juàro (Casa das Águas dos Olhos de Oxóssi), situado em Nova Iguaçu, no estado do Rio de Janeiro. Aos 77 anos, ela é conselheira do Movimento Inter-Religioso e Presidente de Honra da ONG Criola, uma organização de mulheres negras.

Mãe Beata também é co-autora da cartilha Oku Abo Espaço Sagrado – Educação Ambiental para religiões afro-brasileiras, idealizada por seu filho consangüíneo Aderbal Ashogun. A cartilha busca conscientizar candomblecistas e umbandistas – o chamado “povo de santo” – a adotarem práticas ecológicas em suas oferendas. Usar folhas de mamona ou de bananeira no lugar de pratos de louça, substituir copos e garrafas de plástico ou de vidro por cuias de coco ou bambu, alertar para o perigo de incêndio causado por velas acesas sob as árvores e explicar sobre as áreas de proteção ambiental em que se pode ou não realizar rituais religiosos são alguns exemplos do que a cartilha ensina.

Forças da natureza
Os deuses do candomblé ketu, nação mais conhecida no Brasil, são os orixás, que podem ser definidos como as forças da natureza. Eles se fazem perceber em seus espaços e elementos sagrados, como rios, mares, matas, trovão e vento, pela manifestação no omorixá (filho-de-santo), conhecida como incorporação, e pela comunicação por meio do jogo de búzios. Nas festas e celebrações dos terreiros, cada orixá se manifesta em seu devoto e se faz reconhecer pela dança, vestimentas e alimentos preferidos.

Tradicionalmente, existem três nações ou tipos de candomblé: ketu (de origem yorubá, a qual pertence grande parte dos terreiros brasileiros), Banto ou Angola (trazido pelos povos do Congo e de Angola; nesta vertente, os deuses são chamados de nkisi) e jeje ou mina-jeje (oriundo das etnias ewe, fon, mina, fanti e ashanti, do atual Benin; estes cultuam os voduns). O respeito ao meio-ambiente, no entanto, é comum às três vertentes. “A nossa religião é ecológica, nossos deuses gostam da água limpa, das folhas sadias, não gostam de poluição”, afirma Mãe Beata.

Legalização de Terreiros


A Assessoria Jurídica da Secretaria Municipal da Reparação (Semur) está prestando orientação Jurídica aos Templos de Religião de matriz africana.
Devidamente legalizados, os Terreiros de Candomblé recebem imunidade do IPTU, podem ainda conseguir convênios e parcerias com órgãos públicos para desenvolver projetos, por exemplo, na área de educação e cultura.
Fonte: SEMUR

Mapeamento traça perfil de espaços religiosos de matriz africana

Ketu, Nagô, Ijexá, Umbanda, Angola, Jêje são algumas das nações a que pertencem terreiros de candomblé, cujos perfis estão sendo delineados pelo projeto Mapeamento dos Espaços de Religião de Matriz Africana, coordenado pela Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), do Estado da Bahia. Desde o início da pesquisa em fevereiro, 395 terreiros foram cadastrados no Recôncavo (58) e no Baixo Sul (337). O objetivo do projeto é apurar quantos são e investigar as características e condições de funcionamento de cada um deles, visando à elaboração de uma política estadual para o segmento.
"Mas, para que o diagnóstico seja fiel à realidade, é preciso que todas as lideranças religiosas participem do estudo". Afirma a coordenadora de Promoção e Defesa dos Direitos da Sepromi, Karine Limeira. Segundo ela, além da nação, o relatório final conterá dados sobre a origem e história dos terreiros, tempo de fundação, trajetórias de luta e resistência, condições físicas e de infraestrutura, recursos ambientais, assim como o perfil das autoridades religiosas com relação ao sexo, raça e formação.

Por esse motivo, lembra a coordenadora, os terreiros que ainda não foram visitados devem entrar em contato com a coordenação do projeto pelos dos telefones (71) 3117-1557 ou 3117-1558. Desde fevereiro, 20 entrevistadores, estudantes universitários, estão em campo, coletando os dados que vão resultar em um relatório a ser disponibilizado em uma publicação e no site http://www.sepromi.ba.gov.br/ . "Quanto mais casas forem contempladas, mais próximo da realidade será o diagnóstico feito a partir das informações coletadas", completou Limeira.

Além da Sepromi, o projeto conta com a parceria da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir/PR), das prefeituras e de organizações da sociedade civil dos municípios envolvidos. Com previsão para ser concluído em 15 meses, o mapeamento foi iniciado em dezembro de 2009, com a divulgação do edital para a seleção de estudantes para realizarem a pesquisa de campo.

Municípios envolvidos

A pesquisa de campo está em andamento no Recôncavo, com entrevistas feitas nos municípios de Varzedo, Santo Antônio de Jesus, Muniz Ferreira, Nazaré, Dom Macedo Costa, Conceição do Almeida, Castro Alves, Sapeaçu, Muritiba, Cruz das Almas, São Felipe, Maragojipe, Saubara, São Félix, Cachoeira, São Francisco do Conde, Santo Amaro, Governador Mangabeira e Cabaceiras do Paraguaçu.

No Baixo Sul, a iniciativa contempla os municípios de Camamu, Igrapiúna, Piraí do Norte, Gandu, Wenceslau Guimarães, Teolândia, Presidente Tancredo Neves, Valença, Jaguaripe, Aratuípe, Valença, Cairu, Tapeorá, Nilo Peçanha e Ituberá.

Fonte: Sepromi

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quizilas e Preceitos - II

As quizilas têm por objetivo principal evitar que a (o) filha (o) de santo se exponha a influências maléficas, ou seja, descreve-se como sendo de natureza essencialmente profilática.

"Os outros seres podem carregar consigo más influências e (a filha de santo) não deve deixar ninguém se sentar ou se deitar em sua esteira ou cama. Não terminará o que outra pessoa começou; não pode fechar o que alguém abriu e evita deixar gavetas, caixas ou malas abertas. Não come o resto dos outros, não usa suas roupas, não come nem bebe em recipientes já usados por alguém. Não recolhe lixo com as mãos; não recolhe lixo que outra pessoa varreu. Cuida para que ninguém passe o braço, a mão ou um objeto qualquer em cima de sua cabeça, pois é lá que está seu orixá" (Cossard-Binon 1981, p.134).

Como se vê, a vida da iaô é inteiramente ritmada por preceitos e proibições. Tem de proteger-se, mas deve também cuidar de nada fazer que possa dilapidar a força sagrada, axé, que impregna todos os objetos consagrados e, entre eles, seu próprio corpo. Daí a preocupação com banhos, com a maneira de vestir-se, e, notavelmente, alimentar-se.

Nesse ponto, Cossard-Binon assinala, e, o autor define por "transgressão incentivada", pois não se ensina à iniciada quais as proibições que deve respeitar. Espera-se que a iaô incorra em erro, para, em seguida, repreendê-la. "As pessoas mais antigas do candomblé sentem um certo prazer em interrogar maliciosamente as jovens iaô para saber se comem este ou aquele alimento consagrado a seus orixás. Se elas respondem que não respeitaram as proibições, as mais antigas não deixam de comentar suas respostas com ironia". (ib., p.135). Como a iniciada jamais deve fazer perguntas, fato também assinalado pela mesma autora, o mais provável é que cometa inúmeras transgressões. No caso citado por Cossard-Binon, são "as mais velhas" que se encarregam de verificar a observância das quizilas e censurar as faltas. Além do prazer malicioso que qualquer pessoa - até fora do terreiro - sente em apontar erros alheios, parece que, no caso do candomblé, emerge outra dimensão. As mais velhas são depositárias do saber, seu poder provém da longa convivência com o sagrado, e através delas é todo o valor da tradição ancestral que se afirma. Nessa perspectiva, o não esclarecimento dos neófitos parece até justificar-se. Pois o saber ancestral deve ser aprendido aos poucos, devagar, não constitui simples aquisição de informações, mas é modo de ser. A aprendizagem das regras caminha junto com o amadurecimento do adepto. Do mesmo modo, somente a continua convivência com o terreiro permite ao observador de campo perceber as sutis filigranas que articulam todo jogo, comparações, na vida cotidiana da casa de santo.

Um outro tópico também muito importante levantado por Costa Lima, "o tabu do incesto na família de santo"(1977). Sabe-se, desde as observações de Bastide(1978), que os membros de uma família unida por laços míticos e rituais. Deste modo, a exogamia é a regra, pois qualquer relação sexual entre membros da comunidade seria considerada como incesto.

Para ilustrar apenas essa regra, "os noviços do mesmo 'barco' são 'irmãos e irmãs de esteira', unidos por laços particularmente estreitos. A interdição estende-se também aos membros de outros 'barcos', por serem todos filhos da mesma Mãe. Aos ogãs e ekedi, tampouco é ilícita a união entre si ou com os demais sacerdotes e sacerdotisas. Com efeito, cada ogã é considerado por todos os filhos ou filhas da casa como pai. Não se pode unir à ialorixá pelos seguintes motivos: se o dono de sua cabeça for o mesmo da mãe de santo, o ogã passa a ser considerado como seu pai, se o dono da cabeça for diferente, o ogã é então considerado como um dos filhos da ialorixá. O mesmo sistema aplica-se às relações entre ogã e ekedi". (Augras, 1983, p. 203), e assim por diante.

Assinala o autor que, na vida cotidiana, não é muito fácil distinguir proibições rituais de normas éticas, ou, melhor dizendo, os aspectos rituais parecem mediar a articulação das regras éticas de conduta. A maneira como a comunidade costuma lidar com a transgressão desse tabu específico é bastante reveladora das regras implícitas de comportamento que norteiam as estratégias do grupo. "O certo fazer é não fazer. Mas se a pessoa tem um caso com um irmão de santo, a gente procura explicar de uma maneira que se entenda dentro da lei da seita" ( Costa Lima, 1977, p. 168). em certos casos, a transgressão é sancionada pela expulsão pura e simples dos culpados. De acordo com o autor, contudo, essa sanção automática, quase mecânica, constitui a exceção. O que costuma acontecer é o complexo desencadeamento de um processo de reinserção do transgressor no sistema, com o paralelo acréscimo da força sagrada. Diz um informante de Costa Lima: "O santo pode achar que um homem de Ogum(filho de Ogum) pode se casar com uma mulher que também é filha de Ogum - porque isto pode trazer benefícios para sua filha. Neste caso, é o próprio santo que suspende a quizila". E também "O santo permite se quiser, ou impede se quiser". (Costa Lima,1977, p.173, grifo do autor).

Vale dizer: o que importa não é a cega obediência aos preceitos, o fundamental é atender à vontade dos deuses. À medida que é o próprio orixá que promove a transgressão, ele, mais uma vez, afirma seu poder. De novo, comprova-se a imprescindibilidade da transgressão como elemento essencial de confirmação do caráter arbitrário e ilógico do poder dos deuses.

Cada terreiro compõe uma unidade fechada sobre si própria, com suas regras, suas tradições, e procura zelar pela manutenção das mesmas com um mínimo de interferências externas. Deste modo, preceitos e interdições sofrem inúmeras variações, pois não estão ligados apenas às características de cada orixá - que são mais ou menos "universais", como se verá adiante - mas também se originam das diversas idiossincrasias de cada membro da comunidade. Diz: S.M.E., mãe de santo de nação Ketu, com muita preocupação pela ortodoxia de origem africana: "Aqui no Brasil, o euó vem de muitos lugares. Já na África, ele é localizado, étnico, tribal, familiar. Nem sempre é ligado ao culto, seja de orixá ou antepassados. Por isso, sempre o que é de família, ou nação, serve para todos. O que determina, para um iniciado, seu euó, é o odu de nascimento. Depois de iniciado, na saída do orunko, o filho joga, na frente do povo, para determinar seu odu, sua personalidade e seus euó.Cada odu tem seus euó particulares. Não só quanto à comida vestimenta, atitudes, casamento, profissões. Aqui em casa o euó é usado de maneira africana, por causa de meu pai, mas ainda respeito resquício de euó de minha mãe". Ocorre que a informante foi iniciada primeiro em casa de célebre mãe de santo de nação Angola e encaminhou-se mais tarde para a nação Ketu, tendo hoje um sacerdote nigeriano como seu pai de santo. Apesar de toda sua ortodoxia, não pode deixar de atender às regras e proibições de sua casa de origem, por fazerem parte de sua própria historia. Há, portanto, proibições que são herdadas, de acordo com as raízes do pai ou mãe de santo.

Há também quizilas individuais. Estas quizilas são sempre tiradas pelos orixás ou pelos odus. Existe também euó criado pela própria pessoa, quando muito supersticiosa. Na minha vivencia pessoal de terreiro, confesso que jamais consegui deslindar o que poderia ser criação individual do que era apresentado como quizila determinada pelo próprio orixá ou odu. É possível, no entanto, que tais criações, no decorrer do tempo, passem a ser incorporadas no acervo de proibições da casa, particularmente no caso de pessoas antigas e, conseqüentemente, respeitadas. Em compensação, o que se observa, na vida cotidiana da comunidade, é o progressivo ajustamento do filho de santo às quizilas que lhe foram indicadas. "Nos quarenta dias (contados a partir da iniciação) verifico cuidadosamente os alimentos do orixá da pessoa", declara S.M.E., "se comer e não fizer mal, então vá em frente". Outros informantes esclareceram tratar-se de uma verdadeira aprendizagem por ensaio e erro. "A gente vai testando, se passar mal, aí sabe que é quizila mesmo". Parece que o filho de santo vai negociando constantemente suas possibilidades de ação e seus limites. Novamente encontramos o "jeitinho", como mecanismo intrínseco de lidar com o sagrado.

As proibições, alias, não são apresentadas como estáveis. Vão mudando de acordo com o status do iniciado, ao longo de sua vida sacerdotal. Isso é particularmente notável em relação às interdições que chamamos de profiláticas, já que, acompanhando ritos de passagem, têm por objetivo preservar o iniciado de contatos ou situações perigosas.

Após realizar o primeiro bori, o filho de uma casa tradicional de Ketu recebe as seguintes recomendações: "durante três meses, não entrar em hospital, nem cemitério, praia só depois de seis meses, evitar sol e sereno, manter abstinência sexual por 21 dias, e, por um mês, não cortar o cabelo, não beber, nem entrar em pagode(S.C.M.).

Pessoa recém-iniciada, enquanto usar o Kelê, colar que "significa a sujeição absoluta do iniciado ao orixá e obediência total à mãe ou pai de santo que fez a cabeça"(Cacciatore, 1977, p. 163), deverá, conforme informação de nação ijexá, usar roupa branca sempre, cobrir a cabeça com pano branco quando na rua, estar em casa às 12, 18 e 24 horas, tomar banho de abô semanal, dormir em esteira, não ter relações sexuais, não comer à mesa, não sentar em lugares que os outros sentam, só na esteira, não comer sal às sextas-feiras, não passar em cemitérios nem hospital, e usar contra-egun", proibições às quais as casas de jeje acrescentam a recomendação singular de não olhar no espelho, nem olhar no olho das pessoas".

Não obtivemos explicação para essa interdição mas não se pode deixar de lembra que, em várias culturas, o espelho é considerado como algo ligado à morte e à irrupção da alteridade.

Fonte: http://www.alaketu.com.br




domingo, 13 de junho de 2010

Quizilas e Preceitos - I

Todas as regras de comportamento dentro do terreiro remetem a estrito sistema de preceitos e proibições. Na maioria das vezes, no entanto, tais normas não são explicadas verbalmente. Cabe aos noviços observarem o comportamento dos mais velhos, tirarem suas próprias conclusões - jamais devem fazer perguntas - e tentar acertar por sua conta e risco. Pois o desrespeito às regras é imediatamente apontado. Cochichos dos demais, ironias dos mais velhos, suave reprimenda ou violenta repreensão da mãe (ou pai) de santo, todas as espécies possíveis de censura sancionam na hora o menor deslize. Ao mesmo tempo, contudo, há situações em que a infração é, por assim dizer, incentivada. Quizila é coisa muito séria.

"Em Angola", escreve Alfonso da Silva Rego (citado por Crossard - Binon,1981, p.134), "existe uma palavra que exprime uma idéia que encontramos em todos os lugares, a idéia daquilo que não é bom, que não convém, que é contrario à tradição ou à etiqueta, aquilo que se deve fazer etc. É a palavra Kijila". Formado a partir o étimo quimbundo, o termo quizila expressa, nos terreiros brasileiros, exatamente a mesma coisa, relativa a todas as filigranas dos preceitos e das proibições, e, mais especificamente, às interdições ligadas à idiossincrasias do "dono da cabeça" de cada iniciado. "É quizila do meu santo", eis uma das frases mais ouvidas em todos os terreiros, sejam de origem bantu ou nagô. A palavra quizila será utilizada, de preferência ao termo euó, forma brasileira do iorubá èèwò, de uso bem mais restrito no cotidiano dos terreiros.

Descrevendo as aprendizagens da filha de santo, Giselle Crossard-Binon enumera vários tipos de quizilas, insistindo no seu caráter rigoroso, mas não deixa de registrar episódios nos quais ate o próprio pai de santo infringe proibições publicamente. Nesse caso, precauções verbais são tomadas, para que a divindade não possa perceber "a ofensa que se lhe faz"(1981, p.136). Esse tipo de malandragem é bem freqüente nos terreiros. Chamar abóbora de "inhame vermelho", ou caranguejo de siri, é meio de contornar as situações. Mas a proibição permanece. A infração, ainda que jocosamente esvaziada do significado transgressor, parece paradoxalmente sublinhar a intangibilidade da lei.

A transgressão é enfocada como algo obviamente negativo, destruidor, indesejável. O que se observa do caso do terreiro é um mecanismo muito mais complexo. A transgressão é ao mesmo tempo sancionada e incentivada. No comportamento diário, não somente falhas são insinuadas, como se deixa de prestar informações explicitas sobre o conjunto de regras e, ainda, uma das poucas normas de conduta claramente ensinadas ao neófito é que ele não deve fazer perguntas.

Um dos aspectos importantes da transgressão é permitir o esclarecimento das normas, pois, "o sentido preciso de uma regra raramente é obvio a partir apenas de sua afirmação verbal"(p.26). No caso do terreiro, onde o conhecimento, por iniciático, é antes vivenciado do que verbalizado, é provável que ocorra mecanismo semelhante. aprendem-se os limites, verificando empiricamente se foram ou não ultrapassados. Poder-se-ia logo identificar, no sutil incentivo à transgressão, como que uma finalidade pedagógica. O neófito, quando menos espera, vê desabar sobre si a ira dos sacerdotes. É provável que jamais esquecerá a lição.

Proibição, transgressão, sanção e castigo definem-se reciprocamente, desenhando em filigrana o arcabouço das rígidas leis que organizam o campo do sagrado. Nessa perspectiva, o tabu é definido como aquilo que não pode ser transgredido, e, no discurso do terreiro, a quizila expressa a mesma rigidez: "proibição ritual, determinada pelo orixá, no seu culto, impondo interdições, temporárias ou definitivas, a seus filhos" (Cacciatore, 1977, p.232). Na pratica diária, no entanto, o comportamento dos fieis parece ecoar a aparente boutade de Mauss: "os tabus são feitos para serem violados"(Metraux, 1963, p.683).

Opondo-se ao discurso da lei e do senso comum, que vêem no tabu o preço que se paga para lidar com o sagrado, Mauss opera instigante inversão. Não seria a transgressão a própria fonte do sagrado?

"A transgressão organizada forma, com a proibição, um conjunto que define a vida social. A freqüência das transgressões, que ocorrem com regularidade, não invalida a firmeza intangível da proibição, da qual sempre constitui o esperado complemento - do mesmo modo que o movimento da diástole completa a sístole (...). Proibição e transgressão correspondem a esses movimentos contraditórios a proibição rejeita, mas o fascínio leva à transgressão..." (Bataille, 1957, p. 73).

Proibições delimitam. Transgressões rompem as barreiras, instaurando o perigoso reino das margens, mas os poderes da ambigüidade são tais, que é precisamente a transgressão que vai afirmar a imprescindibilidade dos limites. Deste modo, não se pode considerar a transgressão como algo acidental ou contingente. A relação proibição/transgressão constitui articulação necessária à definição dos limites e à dinamização do sistema.

Os autores que estudam cultos africanos tradicionais na antiga Costa dos Escravos, e particularmente entre os grupos que deram origem ao candomblé brasileiro, assinalaram a presença constante de preceitos e proibições sem, no entanto, dedicar-lhes espaço especifico.

Assim é que Verger, em suas monumentais Notes sur le culte des orisa et vodun (1957), informa quais são os interditos de algumas poucas entre as divindades cultuadas na Nigéria, Benim e Togo. Em compensação, descreve pormenorizadamente o comportamento ritual dos sacerdotes frente à violação de uma proibição, no antigo Daomé.Expressando todos os sinais de intensa raiva, o sacerdote sai correndo pelas ruas gritando "oma, oma", para exigir reparação. A queixa é julgada por um conselho que resolve se vai aceitá-la, ou não. Se for aceita, os adeptos do vodum ofendido participam do ritual de oma durante nove dias seguintes. Consiste em adotar comportamento aberrante. Vestindo-se de modo extravagante, usando cabaças rachadas ou panelas quebradas à guisa de chapéu, e colares feitos com frutas podres e velhos carretéis, armados de porretes, os participantes do oma cantam e insultam o culpado. Este deverá expressar arrependimento e pagar multa para reparar seu erro. Acrescenta Verger que, "depois de o oma acabar, ninguém deverá aludir aos cantos nem aos insultos que foram proferidos, sob pena de cometer, por sua vez, transgressão passível de oma"(1957, p.567).

Herskovits (1938), em seu exaustivo retrato do antigo Daomé, hoje Benim, assinala a força dos tabus em todos os instantes da vida do daomeano.

"Estritamente falando, os tabus são chamados sú dúdú ('coisa proibida de comer'), enquanto as coisas que se devem fazer são chamadas de nowaídô"(1938, p.160), o que parece corresponder aquilo que, nos terreiros, se chama de "preceitos". Prossegue Herskovits: "(os tabus), como a própria filiação ao sib, são herdados do pai e devem ser observados por toda a vida. Se alguém cometer violação de seus tabus alimentares, voluntariamente ou não, e ficar calado a esse respeito, sofrerá erupção na pele, chamada salawà, dentro de dez a quinze dias"(id.ib..). Somente com um banho de folhas permitirá remove-la. De tal modo que, ao se convidar as pessoas para o almoço, é aconselhável perguntar as proibições alimentares de cada uma.

Herskovits é um dos poucos autores que descrevem conjuntamente proibição, transgressão, castigo e reparação. A imagem que nos transmite da cultura daomeana tradicional sugere um mundo rigidamente ordenado, cheio de proibições e de castigos definitivos. Por exemplo, a atividade dos caçadores é rodeada de mil preceitos e interdições. Quando o marido vai caçar, é vedado à mulher dele comer carne, senão, ela o expõe a ser atacado pelos bichos selvagens.

A agricultura, não menos relevante, é igualmente cercada de poder e perigos. Não se deve trabalhar no campo, no primeiro dia da semana, sob pena de ofender os deuses do "panteão das tormentas", que matam o culpado com raio. Os deuses da terra são ainda mais terríveis, Sakpatá, o maior dentre eles, manda como castigo todas as doenças de pele, incluindo lepra, varíola, e se tornou tão ameaçador que, conforme Verger (1957, p. 246), seu culto foi banido de toda a Nigéria, onde outrora o reverenciavam, sob o nome de Xapanã. Aos zeladores de Sakpatá é proibido comer várias caças e, particularmente, comer juntos certos cereais, que são o milho, o sorgo, o milhete, e tudo quanto é tipo de feijão, porque, dizem, "quem comer esses cereais juntos, come a terra"(Herskovits, 1938, vol.2, p.141). Esse aspecto de não comer o próprio material de o que deus é feito aparece freqüentemente nos temas míticos da Costa dos Escravos.

Os sacerdotes do "povo das águas"e, particularmente, de Agassú, antepassado mítico da família real do Daomé, não podem comer tartaruga, crustáceos, nem moluscos, por pertencerem ao mesmo elemento. Desenha-se, cada vez com maior nitidez, a proibição daquilo que poderíamos chamar de autofagia simbólica. Os filhos dos deuses, e seus zeladores, não podem comer daquilo que significa sua própria substancia, que é o fundamento de sua identidade mítica.

Os filhos de Keviosso não podem usar vermelho, porque deuses do "panteão das tormentas" são particularmente apegados ao vermelho". Do mesmo modo, gente de Sa Meji não pode lidar com bruxarias, por ser este o "signo" das feiticeiras.

A informação sobre as quizilas de cada um não funciona apenas como aviso profilático, no sentido de evitar a transgressão. Conhecer quais são as interdições de cada pessoa é meio de saber como lidar com ela. Facilita a observação das regras de cortesia e de precedência, mas pode também ser usado como arma.

A descrição dos rituais pelos africanistas leva a inserir outros componentes no binômio proibição/transgressão. O castigo certamente aparece, e visa a sancionar o desrespeito da lei. Entretanto que se introduza um terceiro momento, igualmente imprescindível na dinâmica do conjunto, a reparação. A oferenda contribui para a distribuição da força sagrada, e estabelece novos fluxos de comunicação. À medida que a transgressão implica reparação e esta, oferenda, os aspectos negativos, o castigo, a morte, somente aparecem quando ocorre uma parada no processo.

Vejamos a historia de Akinsa Emere, do odu Obará, que, em vez de entregar a oferenda aos deuses, resolveu parar o sistema de trocas, e simplesmente, comeu por conta própria a oferenda que deveria fazer. Engasgou e morreu.

"Akinsa emere nunca mais comeu.
Exu ficou dançando, se regozijando". (Bascom, 1980 p. 573).

À medida que a oferenda é classicamente considerada como representando simbolicamente o próprio ofertante, este é um caso extremado de autofagia. Não há sequer possibilidade de reparação.

No que diz respeito à vida cotidiana, mitos clássicos dos iorubás afirmam a importância de conhecer-se, para saber como comportar-se corretamente neste mundo. Tal conhecimento só pode ser alcançado mediante a consulta do oráculo, que dirá "de que material é feita a cabeça" de cada pessoa. Um texto oracular recolhido da boca de um sacerdote nigeriano por Juana Elbein dos Santos e Deoscóredes M. dos Santos (1971) explica que cada pessoa, antes de nascer, tem sua cabeça (orí) miticamente moldada no além (òrum), a partir de determinada matéria prima-ancestral (Ipòrí), cuja identificação, pelo oráculo, permitirá esclarecer qual é sua natureza verdadeira. Não somente a pessoa saberá que tipo de oferenda deve fazer para agradar os deuses, mas será também informada a respeito de "todas as coisas que lhe são prescritas como interdições (èèwò) proibidas de comer por causa da maneira como o orí foi moldado. (Santos e Santos, 1971, p.52). "Ifá dirá qual a divindade que deves servir, que coisa te é proibida e não deves comer. Pois não deves comer do mesmo corpo a partir do qual foi construída tua cabeça" (Herskovits 1938, id. ib. p. 53, grifo do autor). O esclarecimento das proibições rituais torna-se sinônimo da auto-identificação.

(Culto aos Orixás - Voduns e Ancestrais nas Religiões Afro-brasileiras, 2004, p.157/171)

Fonte: http://www.alaketu.com.br/

sexta-feira, 11 de junho de 2010

100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá traz história, beleza e cultura negra para Assembléia Legislativa


Em meio a tambores, tecidos brancos de Oxalá, orações e canções em yorubá, a sessão especial comemorativa dos 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, de terreiros e do Estado. O evento ocorrido na manhã desta sexta-feira (11) transformou o plenário da Assembléia Legislativa em um grande encontro em homenagem às raízes africanas através do Candomblé e às iyalorixás (mães-de-santo) que a frente desse templo religioso fizeram história na Bahia.

O deputado estadual Bira Corôa destacou que este momento de reconhecimento e homenagem consagra e abrilhanta a caminhada dos ancestrais africanos pela preservação histórico-cultural. Bira ainda pontuou em sua fala o marco histórico conseguido com a luta de Mãe Aninha, a fundadora do Opô Afonjá, que conquistou a liberação legal do culto aos orixás, depois de uma audiência no Rio de Janeiro, em 1937 com o presidente Getúlio Vargas. “Agradeço pela resistência e existência do Ilê Axé Opô Afonjá, pois a nossa essência não está na epiderme, está sim na razão de ser negro”, concluiu o deputado.

Os deputados federais Zézeu Ribeiro (PT-BA) e Lídice da Mata (PSB-BA) reconhecendo o encanto de Mãe Stella de Oxóssi, lembraram a importância do Templo Religioso e a força da mulher na história do país. “Hoje estamos comemorando os 100 anos do Ilê Axé Opô Afonjá, que é uma referência nacional reconhecida pelo seu trabalho”, afirmou Zézeu. Lídice agradeceu o deputado Bira Corôa pelas introduções da cultura e religiosidade de matriz africana que o parlamentar tem realizado na Assembléia Legislativa.

O diretor do Irdeb Pola Ribeiro informou que o Candomblé de São Gonçalo (o Opô Afonjá) reúne ternura, força e acolhimento dentre tantas outras qualidades que possui. “Quanto mais aprendo, mais ignorante me sinto com a complexidade de conhecimento do Opô Afonjá”, disse Pola.

Segundo a juíza Luislinda Valois a homenagem a Mãe número 1 da Bahia veio tarde, mas felizmente foi lembrada e parabenizou o deputado Bira Corôa, pela sessão e por defender a promoção da igualdade.

Valois versou sobre a dificuldade de ser negro no Brasil, mas ressaltou que estamos vivendo um momento de mudanças. “É tempo da África, do Brasil, da Bahia, é tempo do empoderamento do negro”, concluiu a juíza.

Edvaldo Brito, vice-prefeito de Salvador, apresentou um cântico em Yorubá e concluiu sua fala afirmando o quanto era bom estarem todos juntos em um grande abraço.

O adido Cultural da Nigéria fez uma oração também em Yorubá complementando em sua fala que o Ilê Axé Opô Afonjá se tornara para o candomblé da Bahia um pilar de humanidade, de amor e de compaixão.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mãe Carmem é homenageada pela Unesco


A ialorixá do Gantois, Mãe Carmem recebeu, no último 30, a Medalha dos Cinco Continentes, outorgada pela Unesco. A condecoração foi levada até o Gantois pelo presidente do Conselho Executivo da Unesco e delegado permanente do Benin na instituição, embaixaor Olabiyi Babalola Joseph Yai. A condecoração é dada a instituições que promovem diálogo intercultural, respeitam outros credos e não fazem proselitismo.

Mãe Carmem recebeu também a faixa da Sociedade Secreta Geledé e a Maié Oxum do Gantois, Márcia de Souza, foi condecorada com a Medalha Toussaint Louverture. A comenda que faz uma homenagem ao líder da libertação do Haiti é oferecida a pessoas que desempenham atividades de conscientização e promoção das culturas africanas.

Mãe Carmem está comemorando oito anos no comando do Gantois.
Fonte: Mundo Afro

domingo, 30 de maio de 2010

Odum Adotá: Família Tradicional


É muito interessante quando vemos alguém falando de famílias tradicionais, se referindo as famílias brancas ricas e poderosas, que fazem história às vezes da forma mais absurda e com isso conquistam fama, respeito, medo, dinheiro e poder. As famílias tradicionais acabam sendo um fenômeno de arquetípico branco, pessoas importantes e influentes em um estado de coisas, onde o negro, o indígena e o mestiço não existem, aliás, mestiço é o negro que embranqueceu, nunca é o branco que enegreceu, mas na hora da disputa de espaços de poder, mestiço é negro, querendo se meter onde não deve e a tradição não se faz neste clima, mestiço não é tradicional, é popular. Uma sub raça, simpática, mas não aceita!

Ontem e anteontem tive uma experiência extraordinária de família negra tradicional, com o advento do Odum Adotá, quatro tradicionais senhoras das famílias de Santo fazendo 50 anos de vida religiosa no Candomblé, no Axé! Me impressionei bastante com a elegância extraordinária daquelas mulheres negras, dos seus irmãos de santo do Oxumaré e demais terreiros da Bahia e do Brasil; a tradição de mais de 5000 anos do Orixá, há mais de 500 anos no Brasil, reproduzida em um evento de pura elegância e saberes. Um ritual civilizatório inédito, histórico, religioso, educativo, social, científico e ambiental, uma cena de fazer o Estado brasileiro tremer pela sua grandiosidade, profundidade e simplicidade, uma via da memória de um povo ressignificado por ele mesmo na plenitude da sua dignidade, cidadania tradicional e universal, que percorreu o mundo e veio parar na Bahia, como um continuo reencontro de saberes, fazeres e inovações inspiradas na transpiração da emoção, que vem do túnel do tempo.

O Ritual cidadão na Câmara foi a construção de um novo contexto da percepção de brancos com algum poder, dizer e se afirmar negro, diante de velhos militantes da religiosidade de matriz africana vestido a rigor como a tradição, que se transporta a cada momento, como empreendedores inventaram seus espaços no Brasil, ao longo do tempo, em um contexto de dor e opressão, o lúdico e o mágico do povo negro foi e até hoje é um espaço de resistência e agora mais forte e organizado de reação, que deve se multiplicar e se impor a cada dia, como um status do povo brasileiro em sua diversidade, identidade e cidadania.

A Sessão Solene na Câmara de Vereadores foi elegantemente antecedida por um documentário produzido por griots ativos do Oxumarê, jovens herdeiros de saberes extraordinários, que também conquistaram o espaço da Academia formal e em mais um ato de sabedoria, de encontro de conhecimento, produziram o documentário que foi veiculado antes do início do evento da Câmara, criando um clima preciso de transmutação em toda platéia, o contexto exato pra textos extraordinários proferidos pelos palestrantes, autoridades religiosas e civis que davam o tom de direito e civilidade ao evento.

Do Ritual Civilizatório e Cidadão da Câmara passamos para o dia seguinte, lembrando ainda do encerramento do evento na Câmara, com a Orquestra Afro Sinfônica, produzindo um Som Afro Harmônico impecável. A Mesa Redonda, o Busto e o Jantar, a magia e o transe de um povo como marca de sabedoria e cidadania, efeito imediato daqueles que vivenciaram os momentos histórico do Odum Adotá no Terreiro Oxumaré, na relação com todos os Terreiros da Bahia e do Brasil, na Relação direta com a nobreza africana, afinal estamos falando do Dia da África, que ganhou muito mais simbologia e solidez com o Odum Adotá.

A Família Negra Tradicional brasileira, estava de mãos dadas entre si e entre outras raças e religiões que se faziam presente, mostrando que de fato, os candomblecistas não são intolerantes em suas grandes atitudes e momentos, seria interessante que ali tivesse representantes de diversos órgãos do Estado Brasileiro, no sentido de entender, compreender e exercer um processo de cidadania evoluído, civilizatório e cidadão, para que em cada decisão tomada a partir daqui, pudesse entender a grandiosidade da contribuição do povo negro, para aquilo que chamamos de Brasil e tanto vendemos lá fora, quando estamos pensando em trazer divisas, mas no entanto ainda não investimos como deveríamos, no processo de igualdade racial, como uma fator estratégico do pleno desenvolvimento brasileiro.

As Famílias Negras Tradicionais brasileiras se entrelaçaram no Odum Adotá, estabelecendo uma reflexão e uma ação sobre família tradicional no Brasil, para que muitos brasileiros até de Terreiro, possam perceber a grandiosidade do fato de Mães e pais de Santo, que reuniram de novo seu povo, em uma grande gênese religiosa e civilizatória, que tem como principal problema as muitas formas de racismo, de discriminação e perseguição, como estratégia de marginalizar e desqualificar continuamente a tradição negra no Brasil e é claro que precisamos ficar muito atentos, as nossas falas, a nossos olhares, as nossas permissões de deixar que aconteçam expressões e ações maliciosas, maldosas e costumeiras contra nossa identidade e tradição.
Quem ainda não havia colocada em sua conta de família tradicional a Família tradicional negra, em suas rodas de conversa social, quando se fala em valores importantes, em elegância, em conteúdo e em civilidade.

Será preciso guardar todo evento em um documentário, disponibilizado para escolas, intelectuais, gestores públicos, autoridades das mais diversas representações, para que melhor possam entender esta plenitude do povo brasileiro, que não pode e não deve mais ser escondido pelo racismo que se comete todos os dias, contra um povo que resiste e reage a cada dia de forma mais concisa, estruturada, estratégica e organizada, afinal quem passou pelos séculos perseguido da forma mais horrorosa e desumana e ainda tem ludicidade, alegria e força para emprestar tanta arte e cultura para identidade deste país, tem que ser mesmo respeitado e homenageado, por políticas públicas civilizatórias e cidadãs, que coloquem o Brasil realmente como uma grande Nação do Mundo, sem os conflitos das desigualdades que estamos acostumados a ver, apesar dos tantos avanços que o país tem alcançado, precisamos vencer o racismo institucional, como forma de avançar e evoluir, como é próprio do século 21, a era do futuro, que se despede das atrocidades do passado, com avanços tecnológicos, que estarão a cada dia mais incluído a sutileza da consciência plena e cósmica de cada individuo, o cosmo que energiza a terra, nos pede uma transmutação da fase da espinhação para a fase da consciência e evolução, mais dinâmica e séria, com o simbólico africano e indígena sendo considerado em toda sua plenitude, pelo histórico e memória destes povos que se relacionam a muito tempo com o universo em toda sua sutileza e grandiosidade, com suas mitologias, que se transformarem em cultura, saberes e fazeres, tecnologias, ciências, políticas, resistências e reações mágicas e tradicionais, que as famílias tradicionais negras, indígenas e mestiças também sejam consideradas em todo o seu valor, para este novo mundo diverso que se monta, tendo o Brasil como uma experiência fantástica, a medida que olhamos a forma com que estes povos discriminados se mantiveram de pé, apesar de toda barbárie que sofreram.

É preciso produzir um grande documentário do evento Odum Adotá, que ele se torne tema de muitas mesas redondas, estudos e medidas civilizatórias urgentes do Estado Brasileiro. que brancos e negros dos espaços de poder, possam ganhar esta consciência e atitude da forma mais rápida, ganhando tempo, diante do tempo que já perdemos.

Viva as famílias Tradicionais Negras do Brasil(Odum Adotá)!

O Carma da dor transcendendo para o carma do amor de forma concreta, a força da ética negra, em mais esta construção. Que os irmãos do Oxumarê e de tantos outros templos de candomblé da Bahia e do Brasil, se unifiquem neste momento, pelo imã da cidadania, da paz, da esperança e da elegância que nos faz vida e cultura.
Muito axé!

Edson Costa
CEN Bahia - Ogan do Oxumarê