terça-feira, 30 de junho de 2009

Ossaim, o malabarista das folhas

- Filme do Canal Futura para o projeto A Cor da Cultura

Fonte: You Tube

Negros fumantes têm cinco vezes mais risco de câncer

Pesquisa da Unicamp analisou 464 pessoas, 200 delas com câncer de pulmão

Hipótese é que mutação genética seja capaz de potencializar a ação dos componentes com potencial carcinogênico do cigarro
por FERNANDA BASSETTE

A população negra brasileira que fuma tem até 5,21 vezes mais riscos de desenvolver câncer de pulmão do que os brancos fumantes. A constatação é de uma pesquisa realizada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que foi apresentada no Congresso Europeu de Pneumologia. O câncer de pulmão é considerado o de maior mortalidade no mundo. Cerca de 90% dos casos estão relacionados ao consumo excessivo ou à exposição passiva ao tabaco. Para realizar o estudo, os pesquisadores da Unicamp avaliaram 464 pessoas, sendo 200 portadoras de câncer de pulmão e 264 saudáveis e não fumantes.

Segundo o pneumologista Lair Zambon, autor do estudo, a maioria dos negros avaliados apresentou uma mutação no gene CYP1A1*2A que é capaz de potencializar a ação dos componentes carcinogênicos presentes no cigarro, especialmente o benzopireno -substância altamente cancerígena. Cada cigarro possui mais de 4.000 substâncias e cerca de cem delas têm potencial para provocar câncer.

"Observamos que essa alteração genética é a mais comum encontrada nos negros e descobrimos que essa mutação está fortemente associada ao aparecimento do câncer de pulmão nessas pessoas", diz Zambon.

Segundo o pesquisador, esse gene é responsável por facilitar o mecanismo de eliminação do benzopireno pelo organismo. Com o gene alterado e a dificuldade de eliminar a substância, aumenta o risco de desenvolver o câncer de pulmão.

Zambon reforça, entretanto, que os resultados refletem a situação dos negros brasileiros e não podem ser estendidos para toda a população negra -pois há a possibilidade de serem geneticamente diferentes.

O pneumologista Mauro Zamboni, do Serviço de Cirurgia Torácica do Inca (Instituto Nacional de Câncer), diz que vários trabalhos em todo o mundo vêm sugerindo essa possibilidade de maior incidência de casos na população negra, mas os resultados são conflitantes e não definitivos. "Apesar de o estudo ter um bom número de pessoas envolvidas, acho que amostra ainda é reduzida para ser extrapolada para a população brasileira na sua totalidade. O assunto é interessante, mas merece continuar sendo estudado", diz.

Prática clínica
Para o pesquisador, os resultados têm impacto imediato na prevenção da doença nessa população, por meio de campanhas educativas que estimulem as pessoas a parar de fumar.

Ele diz ainda que, apesar dos resultados apontarem para uma questão genética, os pneumologistas não devem passar a fazer testes genéticos nos negros que fumam porque isso seria economicamente inviável. "É muito caro e praticamente impossível fazermos exames genéticos em todo mundo. Temos argumentos suficientes para explicar aos fumantes negros que eles têm risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão e que, por isso, devem parar de fumar", diz.

O oncologista Jefferson Luiz Gross, diretor do Setor de Cirurgia Torácica do Hospital A.C.Camargo, acredita que o estudo poderá ter um impacto no desenvolvimento de tratamentos para esses pacientes. "Se você sabe que determinado gene está relacionado ao aparecimento do câncer, você pode estudar formas de bloquear a ação desse gene."

Gross também afirmou que essa população não deve passar por exames genéticos, pois os negros que não fumam e apresentarem a mutação não têm o risco de câncer aumentado. "O grande vilão do câncer do pulmão é o cigarro. Em vez de fazer teste genético, é melhor convencermos as pessoas a parar de fumar", afirma.

Fonte: Ìrohìn

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Pensamentos...

“Não é aos homens que me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres, de todos os homens e de todos os tempos (…). Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos fracos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas nossas opiniões insensatas (…) que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam motivos de perseguição.”
- Voltaire, Tratado Sobre a Tolerância, 1763, in Historie.

Casal de evangélicos é preso por agressão em Manaus

MANAUS - A Polícia Militar do Amazonas (PM) prendeu, na tarde de domingo, o casal de evangélicos Emedir Rodrigues da Silva e Francisco de Souza, ambos da igreja Aliança Eterna, acusados de quebrar uma viatura policial e intimidar passageiros do ônibus que faz a linha Campus Salles. Segundo a polícia, após atender o pedido de ajuda de um passageiro do ônibus, policiais da 18º Companhia Interativa Comunitária (Cicom), chegaram ao local e se surpreenderam. A polícia informou que os passageiros estavam assustados com a exaltação do casal que pregava o evangelho gritando e intimidando os passageiros.

O casal resistiu à prisão, mas foi contido pelos policiais. Quando foram colocados na viatura, voltaram a ficar agressivos e quebraram os vidros do veículo com um cajado de ferro que carregavam, além de danificar as grades traseiras. O casal foi encaminhado ao 15º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro Nova Cidade, zona norte de Manaus, onde responderão a um inquérito por dano qualificado.

De acordo com a PM, o casal já tem passagem pela polícia, pela morte do próprio filho em 2007. As informações do inquérito dão conta que a criança que foi registrada com o nome "Guarda os Dez Mandamentos da Silva Souza", era mal alimentada, estava sofrendo de desidratação e morreu asfixiada no próprio vômito. O casal, que foi responsabilizado pela morte do filho, alegou que a religião a qual pertencem não admite a ingestão de alguns alimentos, entre eles o leite.

Fonte: O Globo

domingo, 28 de junho de 2009

Atuação de religiões de matriz africana foi marcante na conferência de igualdade racial

Brasília - Os líderes das religiões de matriz africana tiveram atuação marcante na 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial, encerrada nesse domingo (28). A plenária final referendou uma série de propostas destinadas a garantir o combate à intolerância religiosa.

Os delegados recomendaram o mapeamento cartográfico social dos terreiros de todo o país, a garantia de aposentadoria para religiosos e a responsabilização de emissoras de TV ou rádio pela veiculação de matérias de cunho racista e discriminatório, com multas diárias no caso de práticas de intolerância.

O ministro da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, se comprometeu a formular um plano nacional de combate à intolerância religiosa e a apoiar a criação de um fórum nacional do movimento de religiosos de matriz africana. “Estamos à disposição das entidades para essa luta, que consideramos extremamente legítima”, diz o ministro.

O diretor de projetos e pesquisa da Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, Ribamar Veleda, acredita que a conferência marcará uma novo momento na conscientização da sociedade. “É uma luz que estávamos buscando ao longo de muito anos e que agora começa a se acender. Sabemos que muito tem a ser feito, mas sabemos que o pontapé inicial está sendo dado aqui hoje”.

A comunidade indígena também avalia como positivos os debates e encaminhamentos da 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial. A defesa dos territórios indígenas e do processo de regularização foi reforçada na plenária final por representante de outros movimentos, como negros e ciganos. No âmbito institucional, a Seppir se comprometeu a analisar a proposta de criação de uma subsecretaria indígena.

Para a representante do Conselho Nacional das Mulheres Indígenas, Maria Helena Azumezohero, a garantia de espaço para as comunidades na conferência e o diálogo com outros movimentos também são importantes conquistas. “Tivemos a participação aqui de representantes indígenas de todos os estados e, por isso, conseguimos avançar nas nossas propostas. Agora vamos aguardar uma resposta sobre a subsecretaria na Seppir.”

A liderança indígena também levou para aprovação na plenária final recomendações na área de educação, principalmente visando ao cumprimento do Plano Nacional de Educação Indígena e ao aumento da oferta de vagas para índios no ensino superior.

Fonte: CEN Brasil